De olho na nuca

A alimentação da comunidade de pescadores/lavradores fundamentava-se no peixe e farinha de mandioca.

Os homens viviam da pesca. As famílias que possuíam terras as cultivavam, plantando feijão, milho, melancia e principalmente mandioca. Havia na comunidade vários engenhos de farinha, tocados a boi. Na época da colheita, os lavradores abandonavam a pesca e dedicavam-se, com suas famílias e amigos ao trato da mandioca, desde o arrancar das raízes e transportá-las para os engenhos, onde eram raspadas e cevadas (moídas) e a massa resultante prensada e torrada, resultando na farinha, guardada em paióis de madeira, como provisão para o ano, até a próxima colheita.

O excedente era vendido para as famílias de pescadores que não possuíam terras. A unidade de medida era o saco, aproximadamente quarenta e cinco quilos, que se dividia em dois alqueires, que podiam se subdividir em meio-alqueire, quarta, meia-quarta e salamim.

Normalmente quem comprava ia a pé ao fornecedor, levando o saco vazio, e o trazia cheio nos ombros, através dos caminhos arenosos, poeirentos e escaldantes.

O excedente da pesca, normalmente de arrasto, era vendido. Se em grandes quantidades, para os lancheiros, que carregavam suas lanchas de peixes e, à vela ou a remo, iam vender na região do vale do rio Tijucas. Com a chegada dos primeiros caminhões na comunidade, os lancheiros foram sendo substituídos e o mercado comprador se ampliou para outras regiões.

O excedente da pesca, quando em menor quantidade, era vendido a pequenos negociantes, que o transportava em lombo de cavalo de seirão, ou em carroças. Os compradores eram normalmente aquelas famílias cujos pescadores/lavradores estavam agora voltados para as tarefas agrícolas.

Não havia eletricidade e nem geladeira, de modo que a provisão de pescados era feita através da salga. O peixe era “escalado”, salgado e exposto ao sol e assim guardado em balaios, para consumo nas épocas de lestada, quando o mar não permitia a pesca.

O feijão também fazia parte da alimentação, sob a forma de pirão e em dias festivos também se comia carne de boi ou de porco, ou galinha, pato ou peru.

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